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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Jogo do Bicho - História


É bicho na cabeça

Em 1892, surgiu no Rio de Janeiro uma bolsa de apostas em animais para aumentar o faturamento do zoológico administrado pelo barão João Batista Viana Drummond. Assim nascia um dos jogos mais democráticos da história do Brasil

Antonio Paulo Benatte (Fonte: www2.uol.com.br)
Charge de Angelo Agostini sobre o Encilhamento publicada na Revista Ilustrada em 1890 / FBN, RIO DE JANEIRO
Em tempos de Encilhamento, enquanto os pobres jogavam no bicho, os ricos jogavam na bolsa
O bichos de Vila Isabel, mansos ou bravios, fazem ganhar dinheiro depressa, e sem trabalho, tanto como fazem perdê-lo, igualmente depressa e sem trabalho, tudo sem trabalho, não contando a viagem de bonde, que é longa, vária e alegre.” Assim escrevia Machado de Assis, em 1895, em crônica no jornal A Semana. No mesmo ano, o poeta Olavo Bilac era bem mais moralista: “Hoje, no Rio de Janeiro, o jogo é tudo. Não há criados, porque todos os criados passam o dia a comprar bilhetes de bichos. Não há conforto nas casas, porque as famílias gastam todo o dinheiro do mês no elefante ou no cachorro. Ninguém trabalha! Todo o mundo joga...”.

O jogo do bicho foi inventado em 1892 pelo barão João Batista Viana Drummond, fundador e proprietário do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, em Vila Isabel. O barão de Drummond havia criado o jogo como um chamariz para animar a concorrência e aumentar o faturamento do zoológico. Muito rapidamente, os 25 bichos “fugiram” do zôo e foram incorporados ao dia-a-dia da cidade. Desde então, o Rio de Janeiro, capital da República desde 1889, tornou-se também a capital do jogo do bicho.

A invenção carioca nasceu numa fase de desenfreada especulação financeira e jogatina da bolsa de valores nos primeiros anos da República. O comércio em crise, para estimular as vendas, instituíra o sorteio de brindes. O barão Drummond, seguindo a correnteza, estipulou o prêmio em dinheiro, sorteando a cada dia uma placa com a figura de um entre 25 animais. Fora do controle do barão, os primeiros banqueiros associaram os animais a séries numéricas e o jogo passou a ser praticado como um fim em si mesmo. Isso foi o estopim para empolgar multidões e transformar o bicho na “instituição” que é ainda hoje.
Retrato do século XIX, autor desconhecido / REPRODUÇÃO
O barão João Batista Viana Drummond, dono do zoológico e inventor do jogo do bicho
A condenação mais comum ao jogo era que ele representava uma vontade de ganhar dinheiro e viver a vida sem trabalhar. Ora, por um lado havia, entre as elites republicanas, um constante esforço de dignificar o trabalho, que até pouco tempo antes era associado ao castigo bíblico e relegado aos escravos e pobres livres. Mas, por outro lado, havia também, no início da República, uma grande negligência em relação ao trabalho para os descendentes de escravos e de brancos e mestiços pobres –, quer dizer, para a grande maioria da população, em situação de quase inteiro abandono. Preferia-se o trabalhador imigrante, o branco europeu. Os postos de trabalho urbano eram insuficientes, precários e mal remunerados. Os índices de desemprego e trabalho informal eram altíssimos.

O sistema de jogo, no começo bastante simples, multiplicou-se conforme prosperaram a febre das apostas e os negócios ilícitos em torno dele. O jogo produzia diariamente instantes de verdadeira efervescência coletiva. Na hora dos sorteios, uma onda de emoção varria a cidade. A tensão provocada pela expectativa do resultado foi descrita por Luiz Edmundo no seu livro O Rio de Janeiro do meu tempo (Xenon Ed., 1987):

“De duas e meia às três da tarde as cozinheiras entravam em férias. Hora mestra do dia, hora de correr o bicho! De resto, toda a cidade está sobressaltada e atenta:

– Já se sabe?
Tiram-se os relógios.
– Está quase, já passam de
duas e meia...
De repente, a lufada da notícia
na cidade:
– Urso, com 92! Urso!

A nova corre célere de boca em boca. Meia hora depois não há uma pessoa na cidade que não saiba o resultado do jogo. Nas casas é um verdadeiro delírio!”.
ABL, RIO DE JANEIRO
O poeta Olavo Bilac, crítico da nova mania que nasceu com a República
Do Rio de Janeiro, o jogo do bicho espalhou-se pelo território brasileiro junto com o telégrafo, o rádio e o telefone. Os bicheiros souberam explorar todas as potencialidades dos novos meios de comunicação. Eles possibilitavam vários sorteios diários com a divulgação imediata dos resultados em nível nacional. No final dos anos 20, conquistara definitivamente o Brasil, tanto nas zonas urbanas como nas rurais, mas principalmente nas grandes e médias cidades.

Os observadores mais realistas reconheciam a impossibilidade de extinguir o bicho por outro meio que não através de uma mudança profunda da “mentalidade do brasileiro”, quer dizer, dos modos de ser, pensar, sentir e agir da maioria da população. Em 1911, o jurista Macedo Soares, a exemplo de tantos outros, observou que o jogo se radicara a tal ponto nos hábitos sociais que era impossível erradica-lo pela lei e repressão policial: “Este jogo encontrou um meio de miséria após a jogatina da bolsa [o Encilhamento], proliferou e criou raízes tão profundas que não será certamente a golpes de lei ou de arbitrariedades policiais que o poder público poderá extirpá-lo dos nossos costumes”.

De fato, as periódicas campanhas de repressão e perseguição a bicheiros – e principalmente a cambistas – não impediram a sua ascensão como verdadeira paixão popular, ao lado do futebol e do carnaval. As diversas tentativas de torná-lo legalmente abolido esbarraram em resistências sociais e culturais de toda ordem. Em 1932, o poeta Murilo Mendes, atestando o enraizamento do jogo na cultura popular, deu uma definição irreverente do que chamou o Homo brasiliensis: “O homem/É o único animal que joga no bicho”.
MIS, RIO DE JANEIRO
Praça XV de Novembro: as bancas de jogo funcionavam junto com o comércio e os resultados do sorteio corriam a cidade
Combatido, polêmico, situado na fronteira entre o mundo da ordem e o da desordem, ele pode ser considerado “a contravenção mais controvertida” do país e um de seus fatos sociais mais significativos do Brasil moderno. A presença de temas ligados ao universo do bicho é marcante na canção popular, na literatura, no teatro, no cinema, no anedotário, no folclore, e claro, na jurisprudência criminal, na legislação e na doutrina penal. No seuDicionário do folclore brasileiro, Câmara Cascudo escreveu: “É o jogo diário de milhões de brasileiros, vício dominador, irresistível e soberano. (...) Contra ele a repressão policial apenas multiplica a clandestinidade. O jogo do bicho é invencível. Está, como dizem os viciados, na massa do sangue”.

Quais as causas de tamanho enraizamento na cultura de milhões de pessoas? Ao contrário dos cassinos elegantes e dos jogos privados – em que o pobre e o remediado não podiam sequer entrar quanto mais jogar –, o bicho surgiu como um jogo público e acessível, a começar pelo baixo valor das apostas. Além disso, ele dava motivos para as conversações cotidianas, numa cidade que crescia rapidamente e onde as pessoas se tornavam cada vez mais anônimas e desconhecidas umas das outras.

Em Ordem e Progresso (1959), Gilberto Freyre descreveu o jogo do bicho como uma das poucas atividades democráticas no início da vida republicana. “Nos bondes, de regresso do trabalho a casa, um dos assuntos principais era qual dos passageiros ganhara no bicho; e por que, em virtude de que tabela ou de que sonho. Quase sempre era em virtude de sonho: em torno da interpretação dos sonhos ou de seus símbolos se prolongavam conversas das quais participavam indivíduos de diferentes classes, raças e profissões, democraticamente reunidos pelo bonde e pela paixão pelo jogo do bicho.”

O jogo, portanto, era muitas vezes ocasião de encontro e contato – de relação social.
MUSEU HISTÓRICO NACIONAL, RIO DE JANEIRO
O mercado da praia do Peixe em 1890: um retrato do Rio de Janeiro na época do surgimento do jogo do bicho
SORTE GRANDE Toda a cultura ligada ao bicho gira em torno da crença na sorte. Em Os bestializadoso Rio de Janeiro e a República que não foi, o historiador José Murilo de Carvalho mostrou que a crença na sorte, como meio de enriquecimento rápido e sem esforço, era difundida em toda a sociedade carioca durante os primeiros anos da República. A intensa especulação financeira do Encilhamento foi a expressão mais característica desse “espírito do capitalismo sem ética protestante”, ou seja, de uma vontade de enriquecer sem trabalhar e poupar.

Em Conceito de civilização brasileira (Cia. Editora Nacional, 1936), Afonso Arinos de Melo Franco verificava que a tendência popular para o jogo é histórica: “Desde o período colonial, a tendência do nosso povo para o jogo preocupava a administração reinol, que a procurava combater. E essa tendência não tem feito mais do que se acentuar”. Preocupado, como tantas outras belas almas, em moralizar os pobres para o trabalho, o bicho é para o autor uma verdadeira “instituição nacional” – principalmente, e lamentavelmente, entre as “classes proletárias”: “O jogo do bicho transformou-se em instituição nacional, irreprimível pelos poderes públicos. Pela sua natureza de jogo barato, é o veículo de expressão, para as classes proletárias, do mesmo instinto que entre as abastadas e as médias se exprime pelos outros jogos”.

Nesse contexto, o sonho de tirar a sorte grande e, assim, triunfar sobre as necessidades do dia-a –dia indicava no mínimo uma leitura cética, desconfiada, da moral do trabalho que acompanhou a modernização da sociedade desde os anos 1870. A crença na sorte, na “salvação pelo acaso”, relativizava o valor que a sociedade burguesa atribuía ao trabalho.

Além disso o jogo propiciava uma experiência da igualdade de chances, num ambiente de relações desiguais de poder entre classes (ricos e pobres), etnias (brancos e negros) e gêneros (homens e mulheres). Numa época de grande autoritarismo, inexistência de cidadania e quase nenhuma participação política, o bicho manifestava um desejo de participação mais ampla na vida social, econômica e política. Não é de estranhar que ainda hoje corra solto pelas ruas.

O JOGO NAS LETRAS

Além de Machado de Assis e Olavo Bilac, outros escritores brasileiros da época registraram a rápida expansão do jogo pelo Rio de Janeiro. Em sua revista dos acontecimentos de 1898, o teatrólogo Arthur Azevedo apresentava um “Lundu do Malandrismo”, canção em ritmo africano que fazia referência às paixões despertadas pelo jogo:

Menino, o jogo dos bichos
É o jogo de mais caprichos!
Nem da roleta os esguichos
Produzem tal comoção!
Jogar é mesmo um regalo
Na borboleta ou no galo,
No cavalo ou no leão!
Quem bem nada não se afoga,
Quem cai não passa do chão,
E quem nos bichos não joga
Não tem consideração.

Na Gazeta de Notícias de 29 de setembro de 1907, João do Rio considerava o bicho a primeira das coqueluches cariocas:

“Há 7 pecados mortais, 7 maravilhas do mundo, as 7 idades do homem, os 7 sábios da Grécia, as 7 pragas do Egito... O Rio tem 7 prazeres: o bicho, o maxixe, o vissi d’arte, os meetings da oposição, a polícia, a propaganda A Europa curva-se ante o Brasil e os cinematógrafos”.

O jornalista e escritor Lima Barreto, nas Coisas do reino do Jambon, cita uma carta do desempregado F., datada de 1911 e endereçada ao doutor Bico-Doce, oráculo oficial do Talismã, um dos vários jornais cariocas especializados nas “coisas do jogo do bicho”. O documento registra a esperança popular “nas sortes” para “minorar a aflição dos pobres”:

“Senhor, (...) tenha compaixão deste pobre sofredor que há 2 anos está desempregado, e que neste longo período, posso vos dizer que tenho passado os dias bem acerbos (...). Peço dinheiro emprestado, e compro todos os dias [os jornais]Mascote, Bicho e o Talismã e nunca sou capaz de acertar em um bicho ou numa dezena que me liberte deste jugo que tanto tem me mortificado o espírito e já me acho desanimado da sorte que me tem sido tão tirana.

Pois bem, em nome de Deus vos peço, dê-me uma dezena ou centena num destes dias em que a natureza lhe der inspiração, porque aos espíritos bem formados
Ele protege a fim de poderem espalhar com aqueles menos favorecidos as sortes (...).”

Era o retrato da busca no jogo de uma melhor condição de vida que a sociedade não conseguia oferecer.

PARA SABER MAIS

Lance de sorte: o futebol e o jogo do bicho na Belle Époque carioca. Micheal Herschmann e Kátia Lerner. Diadorim, 1993.

Águias, burros e borboletas: um estudo antropológico do jogo do bicho. Roberto Damatta e Elena Soarez. Rocco, 1999.

Antologia do jogo do bicho. Renato Pacheco. (org.) Simões, 1957.

O jogo do bicho: a saga de um fato social brasileiro. Simone S. F. Soares. Bertrand Brasil, 1993.

As revistas de ano e a invenção do Rio de Janeiro. Flora Süssekind. Nova Fronteira, Fundação Casa de Rui Barbosa, 1986.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Simpatias para a "virada do ano"

Por Mustafá Ali Kanso

O termo simpatia tem origem no vocábulo grego sympátheia, e traduz “afinidade ou correspondência entre dois ou mais corpos, pelas propriedades que os aproximam”.
Quando se referindo ao sentimento de simpatia podemos conceituar a “atração entre duas pessoas, pela analogia ou conformidade de propensões e sentimentos que as caracterizam ou tendência natural de atração de uma pessoa para com outra”.
Quanto ao seu significado místico podemos conceituar como sendo “modalidade de superstição que procura, na magia e na feitiçaria, meios para afastar certos males ou conseguir determinado bem com o emprego de rezas, sinais cabalísticos, signos místicos, rituais, receitas e/ou preceitos”.
O próprio termo magia aponta para a “arte em que se pretende empregar conscientemente poderes invisíveis e sobrenaturais para obter efeitos visíveis”.
Segundo o célebre mago Eliphas Lèvy, um dos pilares da alta magia está fundamentado no denominado “Princípio Simpático” ou “Princípio da Correspondência”, no qual se encontra em agentes ou eventos isolados uma relação de causa e efeito não necessariamente interligados racionalmente.
Como primeiro exemplo, podemos citar a tradição de se preparar para a ceia de Réveillon pratos contendo lentilhas, para trazer sorte financeira.
Dois princípios simpáticos regem a tradição: a semelhança das lentilhas ao formato das moedas e também ao fato de que poucas lentilhas cruas rendem uma panela cheia depois de cozidas – querendo significar aí o aumento dos recursos financeiros por uma relação simpática com “o aumento” da quantidade do alimento na panela durante seu cozimento.
Outro exemplo, também relacionado ao cardápio, é a tradição arraigada no Brasil de que o prato principal da ceia de Réveillon deverá ser sempre o leitão assado, pois o porco fuça para frente. Desaconselhando, portanto, o caranguejo que anda para trás, e as aves como galinha, peru, etc. que ciscam para trás.
E por aí vai.
Um colega químico, cujo ceticismo é tão grande quanto seu bom humor, criou uma série de “simpatias” não tão mágicas assim. Por exemplo, para evitar que seu carro fosse roubado ele aplicou o ritual de sempre pagar o seguro em dia e guardá-lo em um estacionamento.
Para ter prosperidade no ano-novo ele criou uma série de novas simpatias que realmente funcionam:
  •  Sempre incrementar sua poupança com parte de seu décimo terceiro salário;
  •  Nunca gastar mais do que ganha;
  •  Investir parte de seu salário e de seu tempo em cursos de aprimoramento pessoal e profissional;
  •  Manter-se bem informado;
  •  Trabalhar com entusiasmo, esmero e pontualidade;
  • Sempre assumir uma atitude positiva perante a vida.
Posso garantir, caro leitor, que funciona! A cada ano ele está mais próspero!
E como mensagem de um final de ano, já que a Terra irá iniciar mais um ciclo em sua órbita solar, gostaria de concluir essa hipercrônica com a singela, repetitiva e pouco imaginativa fábula do:
Cavaleiro do Ciclo Vicioso
Antigamente as mensagens postais eram transportadas por cavaleiros que atravessavam as florestas a galope em grande velocidade. Em suas idas e vindas faziam a mesma trilha diversas vezes por semana, anos a fio, em meio a frondosas árvores.
Um destes cavaleiros, o protagonista de nossa história, ao chegar a determinado trecho do bosque teve uma inquietação:
- Há algo nesta trilha que é importante recordar. Mas o que será?
Enquanto estava imerso nestas divagações, distraiu-se do caminho e não viu o galho mais baixo que o derrubou do cavalo.
No chão, se recordou tristemente que já caíra do cavalo por diversas vezes naquele mesmo trecho e pela mesma razão.
A moral da história deixo por conta do querido leitor.
Um ótimo ano-novo de novo!
E que o leitor, nesse novo ciclo que se inicia, nunca caia do mesmo cavalo no mesmo trecho do mesmo caminho pela mesma razão.

(Adaptação de "Simpatias para o Ano-Novo")

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Clubes de compras coletivas "em linha"

Entenda os clubes de compras coletivas on-line
Com grandes descontos, os clubes de compras coletivas on-line atraem cada vez mais adeptos no Brasil. Saiba mais sobre essa modalidade de comércio eletrônico e confira como não perder as promoções nem os seus direitos.
DANILO CASALETTI

PELA INTERNET Os sites de compras coletivas ganham cada vez mais adeptos no Brasil
Deus ajuda quem cedo madruga

O velho ditado também vale para quem quer aproveitar as ofertas oferecidas pelos sites de compras coletivas. Os produtos ou serviços anunciados têm um número limitado de vendas, por isso, se dá bem quem chegar ou clicar primeiro. A modalidade virou um sucesso no Brasil e vem conquistando mais adeptos. Para conhecer esse “mundo de descontos”, o internauta deve ser cadastrado em algum site do tipo. As ofertas, além de anunciadas nas páginas dos clubes virtuais, são enviadas por e-mail, geralmente durante a madrugada. E tem de tudo: produtos de beleza, tratamento estéticos, roupas, acessórios, opções de lazer e entretenimento, viagens, restaurantes, etc.

Os sites de compra coletiva são uma boa opção para conseguir bons descontos, mas, como em toda relação de consumo, são necessários alguns cuidados para evitar dores de cabeça. O Procon ainda não tem um levantamento específico para os clubes de compras, mas a entidade já tem registrado algumas queixas, principalmente quanto ao prazo de entrega. O órgão também vem recebendo consultas sobre a idoneidade dessas empresas. Listamos precauções básicas que você deve tomar para aproveitar mais essa modalidade de comércio eletrônico, que não para de crescer no Brasil. 

Não compre por impulso “Já virou uma rotina para mim verificar as ofertas oferecidas pelos sites", diz a designer Zélia Torrezan, de 22 anos, adepta há seis meses desse tipo de promoção. A designer afirma que costuma dividir no Twitter ou em seu blog pessoal suas experiências no comércio eletrônico. O maior foco da jovem são os restaurantes e os produtos relacionados à estética. A compra por impulso, muito normal nesse tipo de promoções, já atingiu Zélia. Ela conta que já comprou um tratamento para os cabelos sem necessidade. “Era de um salão conhecido e o preço estava muito em conta. Acabei me arrependendo. Não foi o que eu esperava”, diz. 

Teste o serviço antes de investir pesado 
A estudante Natália Goltara, de 21 anos, diz que é cadastrada em pelo menos dez sites diferentes. “As compras on-line viraram parte do meu cotidiano. É tão simples e prático que dificilmente vou às lojas físicas”, afirma. Para evitar dor de cabeça, como demora em receber o produto ou decepção com o que foi adquirido, Natália diz que busca dicas de amigos e na própria Internet. A primeira compra foi feita por um valor bem baixo, apenas para testar o serviço. “Nunca tive nenhuma experiência ruim. Mas recomendo que as pessoas façam tudo com cautela”, diz. 

Fique atento às regras de cada site 
Comprar por Internet não é mais uma novidade. Mas, no caso dos clubes de compras coletivas, os consumidores precisam estar atentos às condições que cada site apresenta. Os sites de venda têm que seguir o Código de Defesa do Consumidor, como qualquer outra relação de consumo. Mas, há algumas particularidades. Por exemplo: é muito comum que uma determinada oferta só tenha validade se atingir um número mínimo de compradores. De acordo com Valéria Cunha, assistente de direção do Procon de São Paulo, não há nada de errado nessa prática, desde que o consumidor seja avisado previamente. “Obedecendo a essa regra, o consumidor não estará sendo induzido ao erro”, diz. O site também deve informar para o cliente que a compra não foi validada em função do pacote oferecido não ter atingido o número de compradores necessários. É importante também conferir o prazo de entrega do produto ou da validade dos cupons de desconto. 

Você tem sete dias para se arrepender 
Há uma condição do Código de Defesa que diz que, em compras feitas a distância, o consumidor tem um prazo de sete dias para se arrepender, cancelar a compra e receber o dinheiro de volta, inclusive o valor pago pelo frete. “Ele pode ter comprado por impulso ou perceber que o produto não é exatamente aquilo que foi demonstrado na imagem publicada na Internet”, diz Valéria Cunha, do Procon. Passados esses sete dias, caso o produto apresente algum defeito de funcionamento, a indicação é procurar o fabricante. 

A quem reclamar? 
Na maioria dos sites, o pagamento é efetuado integralmente para eles, que posteriormente repassam parte do valor para as empresas parceiras. Caso o consumidor tenha algum problema com o produto – como um eletrodoméstico, ele deve reclamar, de maneira geral, com quem vendeu a mercadoria. Para o caso dos descontos em restaurantes ou clínicas de estéticas – duas opções bastante procuradas pelos internautas – é preciso observar caso a caso. Se a pessoa passar mal ao ingerir determinado alimento, ela deve reclamar diretamente ao estabelecimento (restaurante). O intermediário só será responsável caso o consumidor não consiga agendar ou fazer uso do produto comprado. 

Clubes de compras comemoram o sucesso


EXPANSÃO Daniel Funis, diretor de marketing do GroupOn, diz que desafio é conquistar as principais cidades brasileiras
ClubeUrbano, que pertence ao GroupOn, grupo pioneiro desse tipo de serviço no mundo, está há pouco mais de quatro meses no país e já contabiliza dois milhões de usuários cadastrados. O Brasil já ocupa o quinto lugar no ranking dos países com maior receita do GroupOn, perdendo apenas para os Estados Unidos, Alemanha, França e Reino Unido. 

“O Brasil surpreendeu. O grupo não esperava um crescimento tão rápido”, diz Daniel Funis, diretor de marketing do GroupOn. Durante esses quatros meses de operação por aqui, o site já anunciou cerca de duas mil ofertas e trabalhou com 1.400 empresas parceiras. 

Em breve, o ClubeUrbano vai virar definitivamente GroupOn Brasil. Na chegada do site ao Brasil, isso não foi possível, já que outro site do mesmo segmento havia registrado o domínio. Para Funis, o próximo desafio é expandir as operações para todas as principais cidades no país (eles estão em 22, atualmente). “As pessoas estão começando a entender agora o que é compra coletiva. É um momento de consolidação desse tipo de serviço. O mercado brasileiro tem muito potencial e nós vamos atrás disso”, diz. 



O que você opina sobre as compras coletivas?

Você já fez alguma compra assim ou conhece alguém que a tenha feito?

O que você acha das recomendações acima?




terça-feira, 21 de setembro de 2010

domingo, 19 de setembro de 2010