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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Santos atrairá 400 mil pessoas até 2020 com o pré-sal

Lixo orgânico vira negócio em Barretos-SP


18/11/2012 - 05h30

Técnica brasileira transforma lixo orgânico em fertilizante e tijolo

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LEANDRO MARTINS
DE RIBEIRÃO PRETO

Uma empresa de Barretos, no interior de São Paulo, criou um equipamento que pode dar um destino nobre ao lixo orgânico doméstico que atualmente vai parar em lixões e aterros.
O processo faz do resíduo um pó que pode ser usado como fertilizante ou até mesmo na fabricação de tijolos.

A tecnologia, cujo pedido de patente foi feito ao Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), é a aposta da Gold Press Máquinas e Reciclagem para crescer.

De acordo com o dono da empresa, Jerônimo Flausino de Paula, que também é o criador do equipamento, o processo de pesquisa e desenvolvimento da técnica levou cerca de três anos e consumiu R$ 400 mil.

A microempresa, hoje com seis funcionários e um faturamento anual de R$ 50 mil, já fazia máquinas usadas em reciclagem de resíduos como plástico, alumínio e papelão -menos lixo orgânico, como restos de alimentos.

"Em 27 anos trabalhando com reciclagem, sempre pensei em buscar algo para aproveitar o lixo orgânico."

O lixo orgânico é a maior parte do total de resíduos domésticos coletados no país, mas o uso desse material ocorre em pequena escala.

No equipamento criado por Flausino de Paula, o lixo orgânico -como restos de alimentos ou mesmo material vegetal proveniente de limpeza pública- passa por um reator que transforma tudo numa massa que, depois de seca, é triturada e vira pó.
Dois reagentes químicos, cuja fórmula o empresário não revela por questão de segredo industrial, são os responsáveis por remover os contaminantes do material.
Laudo técnico emitido pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Jaboticabal atesta que o pó tem potencial para ser usado na agricultura como fonte de cálcio e corretivo de acidez do solo.

Outra destinação, segundo a empresa, é o uso do pó misturado ao concreto na fabricação de tijolos -ensaios mostraram que a mistura dá mais resistência aos blocos.
O empresário diz que o investimento para colocar uma usina em prática varia de acordo com a necessidade.

ALTERNATIVA

O alvo do negócio de Flausino de Paula são principalmente as prefeituras.
O objetivo é dar aos municípios uma alternativa aos aterros, que estão cada vez com menos espaço e cujo potencial de impacto ambiental é grande.
Segundo o Inpi, o pedido de patente apresentado por Flausino de Paula em 2011 está na fase inicial, quando o processo é mantido em sigilo. Só depois deve passar pela etapa de exame.

A conclusão do processo pode levar em torno de cinco anos.
Editoria de Arte/Editoria de Arte/Folhapress

terça-feira, 20 de novembro de 2012

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Gastos dos turistas brasileiros no estrangeiro em 2011

Brasileiros gastaram US$ 21,2 bi no exterior em 2011, maior valor em 64 anos

Volume praticamente dobrou desde 2008, quando teve início a crise econômica mundial que afetou os EUA e a Europa

Texto:
Os gastos realizados pelos turistas brasileiros em viagem ao exterior em 2011 somaram US$ 21,234 bilhões, cerca de  R$ 37,433 bilhões, o maior valor em 64 anos, desde o início da série histórica, segundo informações divulgadas nesta terça-feira pelo Banco Central. (Ver gráfico)
Esse desempenho reflete o bom momento econômico brasileiro, onde os principais destaques têm sido a elevação da renda da população e a mobilidade social, com o fortalecimento da classe média.

Despesas no exterior

Evolução dos gastos dos turistas brasileiros fora do País desde 1947
Fonte: Banco Central

O fluxo mais intenso de turistas brasileiros no exterior ganhou força após a piora no cenário internacional com a crise financeira no fim de 2008. Naquele ano, os brasileiros gastaram US$10,962 bilhões em viagens fora do País. Esse valor praticamente dobrou em 2011. Com a economia abalada no exterior e o real valorizado, os Estados Unidos e a Europa, destinos mais procurados pelos brasileiros, ficaram mais acessíveis.
Em dezembro, o gasto dos brasileiros fora do País alcançou US$ 1,764 bilhão, o maior para o período desde o início da série histórica. Em igual período em 2010, o desempenho ficou em US$1,726 bilhão.
Motivado pela desvalorização do dólar, até meados agosto, os gastos dos brasileiros no exterior registraram recordes consecutivos no ano passado. A maior marca para um período de 30 dias foi registrada em julho do ano passado, quando o gasto total dos turistas no exterior foi de US$ 2,196 bilhões. Em abril, os gastos de brasileiros fora do País haviam sido de US$1,943 bilhão, a segunda maior marca da história em um único mês.
Com o real valorizado, os produtos importados ficaram mais atrativos para os turistas em viagens ao exterior, afetando, em parte, o desempenho e a competitividade da indústria nacional.
A desvalorização do dólar foi provocada pela crise internacional e o aumento na percepção de risco pelos investidores em todo o mundo, no fim do primeiro semestre, com a possibilidade de um calote dos Estados Unidos em sua dívida pública. Esse risco só foi minimizado em julho, após um acordo entre os parlamentares americanos para elevar o teto de endividamento do país.
De olho com os crescentes gastos dos brasileiros no exterior e a alta do real, o governo tomou uma série de medidas para frear o consumo de turistas fora do Brasil. No início de 2011, o ministério da Fazenda elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre gastos com cartão de crédito fora do País de 2,38% para 6,38% e também aumentou o mesmo tributo sobre as captações de recursos no exterior de 2% para 6%. Mas mesmo com as medidas da área econômica do governo, os gastos no exterior continuaram crescendo. 
Balanço de pagamentos
No ano passado, o balanço de pagamentos, que engloba todas as transações do Brasil com o exterior, registrou um superávit de US$58,637 bilhões, um crescimento de 19,4% em relação a igual período de 2010, quando f oi de US$ 49,101 bilhões. Em dezembro, o saldo ficou positivo em US$525 milhões.
Já as transações correntes – que levam em conta os resultados de balança comercial, serviços e rendas – acumularam déficit de US$53,612 bilhões, ou 2,12% do PIB. O saldo negativo foi 11,2% maior na compração com o resultado registrado em igual período de 2010 (US$47,323 bilhões). Em dezembro, as transações correntes ficaram deficitárias em US$ 6,040 bilhões.
A balança comercial acumulou superávit de US$29,796 bilhões no ano passado, com alta de 48% em comparação com igual período de 2010 (US$20,147 bilhões). Em dezembro, o saldo foi de US$3,815 bilhões.
A conta de serviços, na qual estão incluídos os gastos de brasileiros no exterior, registrou um déficit de US$37,906 bilhões em 2011, aumento de 23,2% em comparação com igual período de 2010 (US$30,771 bilhões). No último mês do ano passado, o saldo ficou negativo em US$ 3,602 bilhões, 23,5% maior que o déficit de US$ 2,916 bilhões verificado no mesmo mês em 2010.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Você sabe qual é o melhor tipo de financiamento imobiliário?

Associação de Mutuários faz considerações sobre os prós e contras dos tipos de financiamentos imobiliários. 


São Paulo, SP - O levantamento do Secovi-SP (Sindicato da Habitação) aponta que só no mês de maio (2011) foram comercializadas 2.380 unidades residenciais, o que representa alta de 22,1%, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Já de acordo com a pesquisa do Instituto Data Popular, 9,9 milhões de pessoas pretendem realizar o sonho da casa própria nos próximos meses. Mas, antes de fechar o negócio, é preciso ficar atento na escolha do financiamento, conforme recomenda a Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências (Amspa). 

“É importante que o futuro mutuário, ao comprar um novo bem, converse com sua família para definir a melhor forma de pagamento”, alerta o presidente da Amspa, Marco Aurélio Luz. Ele recomenda: “Para não correr risco, o ideal é não comprometer mais que 30% da renda mensal, além de ter um fundo de reserva”. 

Consórcio - Marco Aurélio Luz diz que uma das modalidades de financiamento imobiliário em crescimento é o sistema de consórcio. “No primeiro trimestre deste ano, foi registrado um aumento de 11,3% nas vendas das cotas, em relação ao ano de 2010, totalizando 57 mil unidades, como mostram os dados da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio (Abac)", lembra o dirigente.

“Porém – continua Luz, essa alternativa de financiamento tem suas vantagens e desvantagens. Os benefícios são: a possibilidade de usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para dar lances e receber a carta de crédito antes; o prazo para a liberação (varia entre 60 a 180 meses), que é menor se comparado a outros financiamentos, que chegam a 30 anos”.

Segundo o presidente da Amsp, alguns consórcios permitem que o consorciado dê o lance que ela própria, a empresa promotora do consórcio, cobre. O consorciado vencedor pagará o aporte feito pela empresa com parte do valor da carta de crédito. “Já os malefícios são: as taxas de administração e adesão, os seguros e o fundo de reserva, que pode comprometer em até 20% o valor das prestações". 

Quem optar pelo consórcio não deve ter pressa, recomenda Luz, porque tanto pode ser o primeiro a ser contemplado, como o último. “O futuro mutuário que anseia pelo primeiro imóvel próprio e opta por consórcio deve levar em conta que o valor da carta de crédito, quando esta for liberada, pode não ser suficiente para aquisição do bem desejado", lembra ele.

“Nesses casos, quando a valorização do imóvel resulta em que o crédito recebido é insuficiente para a consolidação da compra, o dono da propriedade terá que ter reservas próprias para completar o pagamento. Caso contrário, será forçado a comprar o imóvel em outro local não desejado, o que, às vezes, gera problemas sérios, por exemplo, com a questão da mobilidade”, explica, e reforça: “Por isso, consórcio é ideal para quem não tem urgência para adquirir o imóvel”.

Financiamento com a construtora - Outra opção para financiar um imóvel já pronto é ir direto à construtora. A modalidade, comenta Luz, é boa para quem adquirir o bem no valor acima de R$ 500 mil, e quer quitar as parcelas em pouco tempo. Para ele, a vantagem dessa escolha é a facilidade de negociação com o incorporador. Financiar direto com a construtora, opina o presidente da Amspa, também inclui a menor rigidez para conseguir a concessão do crédito e, no caso da impossibilidade de cumprir o contrato, "há certa facilidade para fazer um acordo".

“O problema desse tipo de financiamento está na cobrança dos juros, de 12% ao ano, mais o reajuste pelo Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) após as chaves, que leva ao aumento considerável do preço final. Há também que considerar que a escritura será obtida somente quando houver a quitação total do financiamento”, ressalta Luz.

Luz comenta ainda que para contratar financiamento de imóvel direto com a construtora é preciso ter cautela, "pois, caso a empresa quebre antes da entrega das chaves, o comprador pode não conseguir recuperar o dinheiro".

“Antes da entrega das chaves, é importante quitar em torno de 30% do valor do imóvel. Para evitar os eventuais problemas com a construtora, também é importante criar a ‘Comissão de Representantes’ para fiscalizar o andamento da obra, ainda na planta. Caso aconteça a falência da incorporadora, o mutuário deve recorrer ao judiciário para receber indenização e multas, o que gira em torno de 50%”. 

Financiamento bancário – O presidente da Amspa comenta as modalidades de financiamento adotadas pelos bancos. Uma é a que se encaixa nas condições do Sistema Financeiro da Habitação (SFH); e outra a que é orientada pelo Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI).

Na análise de Luz, financiamentos pelas regras do SFH e do SFI são ideais para quem quer receber o imóvel de imediato, e não tem condições de pagar à vista, que é sempre a melhor escolha devido à ausência de juros.

“Na impossibilidade da compra à vista, a alternativa é comprar imóvel com preço inferior a R$ 500 mil, preferencialmente, pois este é o valor que se enquadra no SFH, com juros menores (até 12% ao ano) e sistema de amortização mais adequado”, opina Luz.

O dirigente diz que o SFH “dá mais fôlego” quando da ocorrência de atraso nos pagamentos das parcelas. “São três meses para conseguir resolver o problema de inadimplência com o agente financeiro. Já com o SFI, a perda da propriedade pelo não pagamento do imóvel acontece em 15 dias após a notificação do cartório, além da taxa de juros variar entre 13% a 15% ao ano”, diz.

O presidente da Amspa sugere que, antes de assinar o contrato desses tipos de financiamentos, o futuro mutuário verifique o quanto o valor das parcelas vai comprometer seu rendimento familiar. “O ideal é que não seja mais de 20% de sua renda, se essa for superior a R$ 10 mil. Quem tem ganhos entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, o limite da prestação deve ficar entre 11” e 15%” recomenda Luz, e aconselha: “Com renda menor que R$ 5 mil, não arrisque a assumir prestações superiores a 5% desse valor”. 

“Fica evidente que a escolha do financiamento depende muito do poder aquisitivo de cada um. É importante que o futuro proprietário do imóvel converse com sua família, levando sempre em conta as despesas fixas, como alimentação, educação, transportes, pagamentos de prestações, entre outros gastos. Caso contrário, o sonho de comprar a casa própria pode se tornar um tormento e acabar de vez com uma esperança”, completa o presidente da Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências (Amspa), Marco Aurélio Luz.

Quem tem dúvidas sobre financiamentos pode buscar esclarecimentos junto à Amspa.

domingo, 8 de maio de 2011

Inflação tem peso diferente para cada classe de renda


A representante de vendas Claúdia Bocault não precisou ver os números da inflação para apontar rapidamente o que tem aumentado de preço nos seus gastos. "Comer fora ficou mais caro", diz.


Com uma renda superior a dez salários mínimos por mês, ela afirma que o supermercado não é território do grosso das suas despesas. "Moro sozinha, não compro produtos básicos, como arroz e feijão. Mas percebi que a gasolina está ficando mais cara", conta.

A Folha acompanhou três consumidoras, na última semana, em São Paulo. O objetivo era anotar o que, na lista de compras de cada uma delas, tinha subido de preço. A avaliação era feita pela própria consumidora, numa espécie de medição do que seria a sua inflação pessoal.
Bocault consome itens importados e percebeu que esses produtos, como vinho e azeite, estão mais em conta.

CARNE MAIS CARA

A atriz Elvira Roethig, 56, diz que sente o aumento dos preços no supermercado. A renda da família é inferior a R$ 3 mil mensais. Ela tem um consumo que se poderia chamar de racional. Compra o que acredita ser indispensável em casa. Mas só leva em maior quantidade o que percebe que está barato. "É um investimento." 
"Nos produtos básicos, como arroz, feijão e óleo, é melhor comprar da marca boa e comer pouco do que comer muito da marca ruim", opina. Nas despesas do mês, ela percebeu que os remédios para controlar a pressão ficaram mais caros.

A vendedora Angélica Santos, 30, mora sozinha em Barueri (SP). Todos os dias, pega ônibus e trem para chegar ao trabalho, na zona oeste de São Paulo. "Gasto muito com transporte e com aluguel. E os dois subiram", conta a vendedora. Integrante da classe D/ E, Angélica raramente come fora. Leva marmita para o trabalho. A carne sumiu do carrinho no ano passado. "Virei vegetariana, não faz falta", conta. Ela vai quase todos os dias ao mercado, atrás do melhor preço. "Ontem, eu olhei o macarrão instantâneo e não comprei. Estava caro. Hoje, achei mais barato e comprei".

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Recorde de êxodo brasileiro

Êxodo de brasileiros volta a ganhar força em 2009 e é recorde na década

Passageiros em aeroporto brasileiro (Marcello Casal Jr./agencia Brasil)
Para pesquisador, muitos brasileiros ainda saem do país desinformados
Apesar da crise nos países ricos, o êxodo de brasileiros para o exterior voltou a ganhar força em 2009, após cair em 2008, e atingiu o maior patamar da década, sugere um levantamento realizado a partir do saldo de entradas e saídas nos aeroportos brasileiros.
Em 2009, o número de passageiros que entraram e saíram do Brasil por via aérea apontou para uma saída líquida de aproximadamente 90 mil pessoas.
No ano anterior, os números revelavam um fenômeno inverso. O saldo foi negativo, indicando que, em 2008, cerca de 28 mil pessoas a mais entraram no país em relação aos que saíram.
“(O ano de) 2008 foi claramente um ano especial. A crise veio muito forte e atingiu o mercado de trabalho, principalmente nos países para onde a migração estava se dirigindo. Em 2009, a saída líquida voltou a aumentar. Foi uma velocidade surpreendente", considera Victor Hugo Klagsbrunn, autor do levantamento que aponta para o que o autor chama de "saldo migratório", calculado com base em dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
O pesquisador ressalta que os números não devem ser tomados como um indicador absoluto, mas servem como termômetro para identificar tendências na migração de brasileiros – movimento que carece de indicadores oficiais.
Desinformação
O saldo positivo de 2009 após a queda em 2008 surpreende quando se compara o desempenho das economias ricas com a brasileira. Enquanto o Brasil começava a sair da crise em 2009, registrando um crescimento de 0,2% no Produto Interno Bruto (PIB), a crise atingia em cheio os países ricos. A economia da União Europeia, por exemplo, principal destino de brasileiros em busca de uma vida melhor no exterior, teve queda de 4,2% em 2009. Nos Estados Unidos, a queda no PIB foi de 2,4%, e no Japão, de 5%.
De acordo com Williams Gonçalves, professor de relações internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), um dos fatores que podem explicar essa aparente contradição é a falta de informação sobre a gravidade da crise entre os novos imigrantes.
“Estive recentemente em Portugal e encontrei gente arrumando as malas para voltar, dizendo que a situação econômica está muito ruim. Ao mesmo tempo, encontrei muita gente chegando. São pessoas que formam a ideia de que o mercado lá fora é melhor e vão, sem nem saber direito da crise”, conta.
Klagsbrunn aponta ainda uma outra explicação para o fenômeno. A despeito do crescimento da economia brasileira, para muitos, tentar a vida no exterior ainda parece uma opção melhor. Para ele, a redistribuição de renda com o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo beneficiou a classe baixa, mas uma grande parcela da classe média permanece sem perspectiva de crescimento no Brasil.
“Perguntam por que o pessoal continua saindo se o Brasil está bombando. Não é bem assim. Muita gente, por exemplo, tentou a ascensão social por meio do curso universitário, mas não conseguiu e ficou sem perspectiva”, diz.
Histórico
Segundo Klagsbrunn, os dados da Anac indicam que o êxodo de brasileiros tomou força a partir de 1980. Desde então, a tendência mais ampla tem sido de uma saída líquida positiva.
O saldo migratório só se tornou negativo em três momentos (1998, 2001-2004 e 2008), sempre associados a crises internacionais. A inversão mais drástica veio em 2001, quando os atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York estancaram o forte fluxo de migração que se dirigia para os Estados Unidos.
Diante do maior controle de fronteiras nos EUA, a emigração brasileira logo mudou de alvo. A partir de 2005, voltou a ganhar força puxada pela chegada maciça de brasileiros à Europa.
Década

MIGRAÇÃO BRASILEIRA

2000 - 118,6 mil
2001 - -13,2 mil
2002 - -26,5 mil
2003 - -7,7 mil
2004 - -28,9 mil
2005 - 24,8 mil
2006 - 58 mil
2007 - 77 mil
2008 - -28 mil
2009 - 90,7 mil
Obs.: O saldo migratório é a diferença entre o número de passageiros que sai e que entra no Brasil a cada ano.
Entre 2001 e 2009, o saldo migratório para a Europa foi de mais de meio milhão de pessoas. O número permanecia positivo e seguia crescendo até 2008, quando foi praticamente zerado. Em 2009, o saldo foi negativo para Alemanha, Espanha e Reino Unido. Mas voltou a crescer para França e Portugal.
Outra tendência crescente ao longo da última década foi o aumento do saldo migratório para América Central e México. De 2001 a 2009, 95 mil pessoas partiram de aeroportos brasileiros, sem retorno, para a região.
“Isso indica o uso de rotas alternativas para chegar ao EUA”, diz Klagsbrunn, lembrando que o Panamá e outros países passaram a ser procurados depois que o México introduziu o visto obrigatório para brasileiros, em 2005.
Com os Estados Unidos, os dados indicam que o saldo de passageiros entre 2001 e 2009 foi negativo, com cerca de 300 mil pessoas a mais tendo chegado ao Brasil do que saído. O movimento de queda continuou após a crise de 2008, mas apresentou recuperação em 2009, embora o saldo continue negativo.
Oportunidades
A busca por melhores oportunidades fora do Brasil se traduziu em um êxodo que já dura três décadas. Hoje, o Ministério das Relações Exteriores estima o número de brasileiros no exterior em cerca de 3 milhões.
Para chegar a uma estimativa mais precisa deste contingente, o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) incluiu em sua enquete de 2010, pela primeira vez, uma pergunta sobre o assunto. Em cada domicílio, os recenseadores perguntaram se havia alguém vivendo no exterior e em qual país.
“Esses movimentos de saída afetam algumas estatísticas fundamentais para o Brasil, como as projeções de população”, justifica Marco Antonio Alexandre, coordenador técnico do Censo 2010. As informações devem ser divulgadas apenas em 2011.
Além de possibilitar projeções, o censo deve trazer dados sobre o perfil dos migrantes, indicando faixa etária, os destinos preferenciais e os fluxos emigratórios concentrados a partir de municípios específicos.